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Marcação a mercado ou na curva: qual a diferença?

Time Clari Certifica

Marcação na curva mostra quanto o título vale pela taxa contratada na compra, como se você fosse carregá-lo até o vencimento; marcação a mercado mostra quanto ele vale se for vendido hoje, pelo preço que o mercado paga agora. O título é o mesmo, o que muda é a régua. E o tema voltou ao noticiário em julho de 2026: o Valor Investe repercutiu um alerta da própria ANBIMA sobre a falta de transparência e de padronização nos preços de renda fixa informados ao investidor, mesmo com a marcação a mercado obrigatória nos extratos desde 2023. Pra quem estuda pra CPA ou C-Pro, essa discussão é um dos conceitos mais cobrados do módulo de renda fixa.

A resposta rápida

Marcação na curvaMarcação a mercado
O que mostraO valor evoluindo pela taxa contratada na compraO valor de venda hoje, pela taxa atual de mercado
ComportamentoSó sobe, em linha suave até o vencimentoOscila: pode subir ou cair todos os dias
Quando valeSe você carrega o título até o vencimentoSe você vende antes do prazo
Onde apareceExtrato de CDB, LCI e LCAExtrato de títulos públicos, debêntures, CRI e CRA; cota de fundos; Tesouro Direto

Guarde a frase que resolve a maioria das questões: a marcação a mercado muda o caminho, não o destino. Quem leva o papel até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada, aconteça o que acontecer com o preço no meio do percurso.

Por que o preço muda, se a renda é "fixa"

Na renda fixa, o que é fixo é a regra do rendimento, não o valor de mercado do papel. Um título prefixado promete um valor certo no vencimento; o preço de hoje é esse valor futuro descontado pela taxa de juros que o mercado negocia agora. Daí nasce a relação que a banca adora cobrar: preço e taxa andam em direções opostas.

Um exemplo com números redondos. Um título prefixado que paga R$ 1.000 daqui a um ano, negociado a 12% ao ano, custa hoje R$ 892,86 (1.000 dividido por 1,12). Se a taxa de mercado sobe pra 14%, o mesmo papel passa a valer R$ 877,19 (1.000 dividido por 1,14). O preço caiu cerca de 1,75% sem que o emissor tenha deixado de pagar nada: apenas o desconto ficou maior. Se a taxa cair, ocorre o inverso e o preço sobe.

Três consequências práticas saem dessa mecânica:

  • Quanto mais longo o título, maior a oscilação. O desconto compõe por mais anos, então uma mesma mudança de taxa mexe muito mais no preço de um papel de 2035 do que no de um papel de 2027. É o que a prova formaliza na duration, o prazo médio ponderado dos fluxos do título.
  • Pós-fixado quase não oscila. O Tesouro Selic (LFT) rende a taxa do dia, então não há taxa travada pra ficar defasada (em estresse raro de liquidez pode aparecer um pequeno deságio, mas nada comparável aos prefixados). Por isso é o título que se indica ao cliente pra reserva de emergência.
  • O prejuízo do extrato só se realiza na venda. Enquanto o título está na carteira, a queda é contábil; no vencimento, a conta fecha na taxa contratada.

O alerta da ANBIMA e a regra do extrato

Desde 2 de janeiro de 2023, uma regra de autorregulação da ANBIMA (do Código de Distribuição) obriga bancos e corretoras a informar ao investidor, no mínimo uma vez por mês, o valor de mercado de alguns ativos de renda fixa: títulos públicos federais custodiados fora do Tesouro Direto, debêntures, CRI e CRA. Antes disso, muitos extratos mostravam esses papéis na curva, e o investidor só descobria a oscilação na hora de vender.

Dois recortes importantes da regra, que rendem questão:

  • CDB, LCI e LCA ficaram fora. Esses produtos bancários seguem exibidos na curva no extrato, porque em geral não têm mercado secundário relevante e são carregados até o vencimento.
  • O Tesouro Direto já mostrava preço de mercado. A plataforma sempre exibiu o valor de venda do dia, por isso ficou fora da obrigação.

A reportagem de julho de 2026 mostra que a discussão não acabou: a ANBIMA vem alertando que, apesar da obrigatoriedade, ainda falta padronização na forma como as instituições calculam e exibem esses preços, o que atrapalha o investidor a saber quanto a carteira vale de verdade. Pra prova, o que importa é o princípio por trás da regra: transparência de preço é proteção do investidor, o mesmo espírito das normas de suitability e de distribuição que você estuda nos módulos de regulação.

Fundos de investimento: marcação a mercado todos os dias

Aqui mora uma pegadinha clássica. Em fundos de investimento, a marcação a mercado não é opção: a regulação da CVM exige que os ativos da carteira sejam avaliados a preço de mercado diariamente, e isso se reflete na cota. É por essa razão que um fundo de renda fixa pode ter rentabilidade negativa em um dia de estresse: a cota cai porque os títulos da carteira caíram de preço naquele dia, mesmo sem nenhum calote.

A lógica da obrigação é evitar transferência de riqueza entre cotistas. Se a cota ficasse na curva, quem resgatasse num momento de preços deprimidos sairia levando mais do que a carteira vale, e a diferença seria paga por quem ficou. Com a cota a mercado, cada um entra e sai pelo valor justo do dia.

O contraste completo, com a visão de cada título público e seus riscos, está no post sobre Tesouro Selic, Prefixado e IPCA+.

O que a prova da ANBIMA cobra sobre marcação

Mapeando o tema pro edital da CPA e das C-Pro:

  • Conceito das duas marcações: na curva = taxa contratada até o vencimento; a mercado = preço de venda hoje. Questão direta.
  • Relação inversa preço × taxa: juros sobem, preço de prefixado e IPCA+ cai (no IPCA+, o efeito vem da parcela de taxa real). A banca costuma dar o cenário ("o COPOM elevou a Selic...") e pedir o efeito no preço.
  • Sensibilidade por prazo: título mais longo oscila mais. Aparece junto de duration nas provas de especialista.
  • LFT como exceção: pós-fixado acompanha a taxa do dia e quase não oscila.
  • Fundos: cota marcada a mercado diariamente, por exigência da CVM, pra evitar transferência de riqueza entre cotistas.
  • Recomendação ao cliente: dinheiro que pode ser necessário antes do prazo pede pós-fixado ou prazo curto; quem garante que carrega até o vencimento pode travar taxa em prefixado e IPCA+. Na C-Pro de Relacionamento, o tema volta como orientação de carteira e manejo de expectativa (explicar ao cliente por que o extrato caiu é metade do trabalho).

O conceito é simples; o que derruba candidato é a variação de enunciado. Treine até a relação preço × taxa sair no automático: o preparatório da CPA da Clari Certifica gera simulados ilimitados no formato oficial da prova, com gabarito comentado em cada questão e revisão focada exatamente nos temas em que você mais erra.

Uma nota de precisão: os detalhes operacionais da regra de extrato (periodicidade, ativos cobertos) são autorregulação da ANBIMA e podem ser ajustados com o tempo. O conceito das duas marcações, esse não muda, e é ele que a prova cobra.

Perguntas frequentes

O que é marcação a mercado?

É atualizar o valor de um título pelo preço que ele teria se fosse vendido hoje, usando a taxa de juros que o mercado negocia no momento. Se os juros subiram desde a compra, o preço do título prefixado ou IPCA+ cai; se os juros caíram, o preço sobe. É um retrato do valor de venda, não do valor no vencimento.

O que é marcação na curva?

É atualizar o valor do título pela taxa contratada na compra, como se ele caminhasse em linha reta até o vencimento. O valor só cresce, dia após dia, no ritmo da taxa combinada. É o valor que você recebe de fato se carregar o papel até o fim do prazo.

Por que meu título de renda fixa aparece negativo no extrato?

Porque o extrato mostra o valor de mercado, e os juros subiram depois da sua compra. Preço de título prefixado e IPCA+ anda na direção oposta dos juros. A perda só vira real se você vender antes do vencimento: quem carrega até o fim recebe exatamente a taxa contratada.

Quais títulos aparecem marcados a mercado no extrato?

Desde janeiro de 2023, uma regra de autorregulação da ANBIMA obriga bancos e corretoras a informar, no mínimo mensalmente, o valor de mercado de títulos públicos custodiados fora do Tesouro Direto, debêntures, CRI e CRA. CDB, LCI e LCA ficaram fora da regra e seguem exibidos na curva, porque em geral são carregados até o vencimento.

Se eu levar o título até o vencimento, a marcação a mercado me afeta?

Não. A oscilação de preço no caminho não muda o valor final: no vencimento você recebe exatamente o combinado na compra. A marcação a mercado só importa se você precisar (ou quiser) vender antes do prazo, ou quando investe por meio de fundos, cuja cota é marcada a mercado todos os dias.

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